Matéria publicada em 19 de fevereiro de 2010, sexta-feira, no Caderno Agá.
O caminho para popularização pode ser tortuoso para artistas que tentam expor trabalhos em galerias ou conseguir apoio para fazer shows dentro do circuito musical. Porém, com um computador e acesso à banda larga, é possível divulgar material, compartilha-lo com o publico e manter uma relação estreita com os fãs, mesmo quando esse acompanhamento não passa do campo virtual.
Dentro do cenário musical, as cantoras Lilly Allen e Mallu Magalhães talvez sejam os mais notórios exemplos da influência da web na consagração de artistas. As duas começaram a fazer sucesso no MySpace antes de alcançarem a fama nos meios tradicionais de comunicação e assinarem contratos com grandes gravadoras. A trilha é seguida por outros músicos, como a banda paulistana DualTape, mas com enfoque mais independente.
O grupo se reuniu através da internet quando Oswaldo Bedusk, guitarrista do grupo, postou anúncios em classificados virtuais buscando parceiros com gostos em comum para tocar. Hoje, ainda sem gravadora ou produtora, o grupo realiza sua própria divulgação em site oficial e disponibiliza todas as músicas para download gratuito. O fato de não terem gravado um CD não é visto como desvantagem pelo grupo. “A música não é mais um objeto, ela está no ar pra ser baixar. Não é comprando CD que nosso publico vai nos ajudar, prefiro a presença física nos shows”, afirma Bedusk.
Assumindo o espírito “faça você mesmo”, ele prefere gravar tudo sem esperar que algum empresário se interesse pelo material para fazer CDs. Desta forma, a banda se apresenta em casas de show do circuito alternativo e conta com a rede de amigos para tornar o nome mais conhecido entre amantes da música. Redes sociais, como Facebook e Orkut, não são apreciados pelo músico para fazer contato com o público ou mesmo procurar bandas novas. “Lá o volume de informações é muito grande, nem consigo acompanhar tudo. Prefiro usar meu próprio site para contato e divulgação ou blogs de notícias focados no estilo alternativo pra descobrir o que é novo dentro de um estilo diferente”, comenta.
Esse excesso de dados imposto a quem se aventura na web é apontado por Marcos Cuzziol, gerente do Itaulab – Núcleo de Arte Cibernética do Itaú Cultural, como um impasse para a profissionalização artística na web. “É um meio com alto grau de desordem, o artista precisa possuir um forte componente autodidático na empreitada de formação profissional”. Quanto ao aspecto mercadológico, mesmo que a divulgação implique na oferta sem custos para o consumidor, ele vê grande potencial para alavancar artistas, citando o caso de Mallu.
Vanessa Coelho



